quinta-feira, agosto 23, 2007

Chuva

Alguém já reparou na chuva de divórcios que para aí anda? Ontem telefonei à minha vizinha do quarto andar, que também é a administradora do condomínio, para lhe dizer que tenho um rato em casa, que o gato caçou duas baratas e que se não me manda cá rapidamente os senhores da desratização tenho um colapso, que isto assim não pode ser e que se ela pensa que se livra dos ratos e das baratas só porque mora no último andar está muito enganada, e que... bom, ia eu embaladissima nas reclamações, praticamente à beira da histeria que isto de viver numa casa com um roedor enfiado nos canos da máquina de lavar roupa não é coisa fácil, quando ela me responde lá do outro lado, muito calma, que já não mora cá no prédio. E eu, já a descer à terra (e ao rato), a perguntar, "ai não? mas porquê?" e ela, "porque me divorciei". "Apesar de ainda só ter um ano e meio de casamento, eu e o Miguel divorciámo-nos e ele agora é que trata dessas coisas, mas está descansada que vou fazer o enorme sacrifício de lhe ligar, a pedir que se encarregue do assunto, que isso de conviver com um rato não é coisa que se aguente e nós mulheres temos de ser umas para as outras."
Um ano e meio de casamento, ainda na última reunião de condomínio estavam a dizer que iam ter filhos e pimba, divorciam-se assim, sem mais nem menos. Mais uma para a colecção, que este Verão já vai em quase uma dezena, entre amigos, conhecidos e amigos de amigos e conhecidos. Uns casados há meia dúzia de meses, outros há mais de dez anos, outros que não chegaram a casar e que decidiram que já não querem viver juntos. Todos com uma história que começou bem, casais perfeitinhos, feitos um para o outro, cheios de planos de amor eterno. E agora novamente à procura de mais um amor eterno.


PS: o rato entretanto já não mora na máquina de lavar roupa. O descarado conseguiu enganar durante vários dias os três gatos cá de casa, mas não sobreviveu às fantásticas armadilhas do Aki.

7 Comments:

Blogger Rita said...

Podias começar a organizar umas festas... Count me in... ;-)

1:24 da tarde  
Anonymous maray said...

minha filha sempre me dizia que na escola secundária, chegava a ter vergonha de ser das pouquíssimas cujos pais não eram separados. Quase me separei, pra não traumatizá-la :)
Também tive um rato por aqui. Na geladeira. Mas minhas cachorras são mais eficientes que seus gatos...
beijos

3:57 da tarde  
Blogger panamá said...

Ai, jóia! Que nervos! Porquê este post? Sou recénzinha casadinha e vou ter o displante de achar que encontrei o amor eterno!E mainada:)!
Quanto ao rato: moooooooooooooorte! Não há serzinho mais asqueroso! Pobrezinha da minha jóia, a ter que conviver com tal coisa nojenta!Beijocas, minha querida!

12:39 da tarde  
Blogger Isa said...

ai que nojo... e conseguiste pegar-lhe?

7:34 da tarde  
Blogger Margot said...

Também eu também acreditei no amor eterno até viver a separação. O problema é voltar a amar com o mesmo despreendimento. Parece que se fica com uma pedra no sapato que nos relembra constantemente que o que parece pode não ser.

10:20 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Pobre rato!!! os gatos são requitados mas tu exageras-te!!Quanto ao segundo amor eterno ele existe, pois as apredizagens (para quem aprende)dão uma nova visão às relações
beijos Marina

10:18 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

O amor eterno é aquele que temos pelos filho...lol..

Quanto ao rato não obrigas a senhora a falar com o ex, pois por vezes é doloroso...

Assina: Marina Birrento recém divorciada e recém casada e a amar muito o seu novo amor...

4:28 da tarde  

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