quarta-feira, agosto 09, 2006

Dura e cara realidade

Cem euros. Mais IVA, pois claro. Ainda não digeri este golpe nas minhas fragilizadas finanças. É o que dá voltar de férias em estado zen, a achar que o mundo é perfeito e que não vale a pena andar com a carteira carregada, com os habituais vinte quilos lá dentro, não vá alguma coisa fazer-nos falta. É o que dá. E eu, ainda no mais puro espírito de férias, lá fui, toda airosa, a sair para jantar, à procura de uma esplanada onde pudesse fazer sauna ao ar livre, de bolsinha a tiracolo e a chave de casa... em casa, do lado de dentro da fechadura.

Assim começou a minha saga do regresso de férias. O arame que o vizinho do lado emprestou não serviu de nada, a radiografia dos pulmões da vizinha da frente também não conseguiu derrubar a persistência do trinco e, depois de uma hora às voltas com a fechadura lá tive de concluir que não tenho qualquer futuro a arrombar portas e que o melhor era convocar ladrões profissionais.

Quinze minutos depois chegava a minha casa um simpático senhor que em menos de um minuto tirou da mala uma providencial radiografia (pareceu-me que era de uma mão, mas não posso garantir) e abriu a bela da porta. Em trinta segundos pôs-me a entrar em casa e a abraçar os meus gatos que miavam desesperadamente do lado de dentro.

E o homem, do mais simpático que há, ainda me deixou ir buscar os cheques antes de anunciar que ia ao carro buscar as facturas e que o servicinho eram cem euros mais IVA. Como que por milagre sai de vez do estado zen e dei por mim a gritar escada abaixo que não queria recibo nenhum, que queria lá saber da fuga ao Fisco, que já me bastava a roubalheira de que estava a ser alvo e que queria que as Finanças fossem... enfim, se o Paulo Macedo descobre estou frita, mas estou-me nas tintas!

O ladão profissional ainda me ofereceu um cartão, com 50% de desconto para usar da próxima vez e lá se foi enquanto eu, no patamar, sorriso a três quartos, o mimoseava em silêncio com todos os palavrões que conheço. Vinguei-me e fui jantar à esplanada do Santo António de Alfama.

Os regressos não são fáceis. Nada. A realidade é mais dura do que a areia da praia. E mais cara, também...

6 Comments:

Blogger sónia said...

Passei por isso há uns anos atrás com uma amiga. O mesmo filme, o mesmo preço... só que enquanto esperávamos que o sr. chegasse metmo-nos no carro e que música estava a passar naquele momento???? Break on Through dos Doors... no fim, também fomos jantar a um sítio maravilhoso, eheheh! :)

9:32 da manhã  
Anonymous maray said...

fez-me lembrar que em casa, por temermos os ladrões, botamos grades às janelas todas. Daí vieram (novamente) os ladrões e nos fecharam num quarto, de onde não pudemos sair pra chamar a polícia ou socorro por ter grades às janelas...Aí é como aqui: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come :(

4:06 da tarde  
Blogger Coool said...

Ai essse regresso teria mesmo que ser um regresso à TUA ALTURA... um ladrão profissional e a febre das facturas...

Por falar em facturas... acho que esse assunto me diz qualquer coisa!! ehehe

Bjs

8:19 da tarde  
Blogger Eva Shanti said...

Pois a mim calhou-me na rifa um frigorífico avariado. Foi um pouco mais que 100 aérios mais IVA, fora os custos que não quis contabilizar de alimentos adquiridos e que pereceram...

Bem-vinda do Planeta Terra. As viagens ao Planeta Zen não passam de curtas incursões no mundo que não faz parte da nossa natureza, o que é uma pena...

Bjs

4:21 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

This is very interesting site...
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3:35 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Best regards from NY! »

6:48 da tarde  

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