segunda-feira, agosto 30, 2004

Jantar

Saiu para jantar sózinha. Labios vermelhos, sapatos altos, vestido cintado, livro na mão.

(Porque é que as mulheres sentem este receio de se sentar sózinhas à mesa de um restaurante?)

À entrada, o primeiro embate: - Mesa para dois?, - Não. Só para mim, obrigada.

Pouco depois, o segundo: A carta de vinhos não veio e teve de voltar a chamar o empregado que, obviamente, partira do princípio que se limitaria a escolher o vinho da casa.

À volta todas as mesas estavam ocupadas com casais. Aqui um apaixonado par de namorados. Ali uma patrão e sua secretária, mais além um homem e uma mulher que comiam em silêncio como se nada tivessem a dizer um ao outro. Ao seu lado, uma mulher que esbracejava e, em alta voz, chamava nomes à sogra, perante um marido silêncioso que preferia olhar ostensivamente para as pernas de quem entrava.

A seguir às entradas abriu o livro, a sua companhia da noite, convencida de que já toda a gente tinha notado que estava sózinha, que apesar dos labios vermelhos, dos sapatos altos e do vestido cintado, não arranjara quem a levasse a jantar.

Depois, olhou em volta e sorriu. Pensando bem, há mais felicidade em jantar sózinha do que em ter à frente alguém a quem nada temos para dizer. Pousou o livro, saboreou o vinho e pediu a sobremesa mais calórica da ementa.

2 Comments:

Blogger clô said...

Que engraçado... eu também levo sempre um livro. Só há pouco tempo é que descobri que jantar sózinha é um acto de coragem. A maioria das pessoas fica aterrorizada com a ideia e prefere fazer uns ovos mexidos em casa... Mas e os vinhos, e todas as iguarias que se perdem por ficar em casa?

12:19 da tarde  
Blogger t&v said...

ora nem mais. tanta sobremesa fantástica, tanto restaurante japonês, italiano, chinês e por ai fora! e todos com sobremesas maravilhosas para descobrir :)
t&v

10:49 da tarde  

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