quinta-feira, julho 22, 2004

A duas vozes

ELA 
Há dez anos que não o via, mas pareceu-me exactamente na mesma. Nem mais velho, nem mais novo. Ligeiramente mais requintado, apenas. Passou metade do tempo a falar do excelente trabalho que tem, das aulas fantásticas que dá na universidade e das viagens de sonho caríssimas que pode fazer todos os anos nas férias. Pagou o almoço e lamentou o meu horário limitado, que o impediu de me levar àquele restaurante de luxo ao lado do seu escritório. A outra metade do tempo passou-a a relembrar o sexo maravilhoso que tinhamos e como estava tão entusiasmado resolvi não lhe dizer que já nem me lembrava bem de como era e que, na verdade, esperava que entretanto tivesse aprendido umas coisas. Na altura foi ele quem quis acabar, deixando-me num vale de lágrimas, convencida que perdia ali o amor da minha vida e que nunca encontraria ninguém igual. Hoje, perante o homem à minha frente, nunca me pareceu tão verdadeira aquela história de que há males que vêm por bem. No final do almoço, enquanto saíamos do restaurante, apalpou-me descaradamente e saiu-se com uma pérola poética, dizendo que o que mais queria era ter um botão que lhe permitisse começar tudo de novo entre nós. Sugeri-lhe que investisse uma parte da sua riqueza pessoal no desenvolvimento dessa inovadora tecnologia e enquanto nos despedíamos prometi a mim própria que iria pensar duas vezes antes de marcar encontros com ex-namorados que não vejo há anos. Mal por mal, prefiro as velhas lembranças. 

ELE  
Fui almoçar com uma ex que não via há uns bons anos. A Isabel anda tão chata que de vez em quando é preciso variar e o João contou-me que esta agora anda sem namorado. Trintona e a viver sózinha, achei que era boa altura para reviver velhos tempos. Tenho de admitir que não mudou muito. Continua com um belo par de mamas e os saltos altos e a mini-saia deixaram-me logo com vontade de lhe voltar a saltar para cima. Claro que estas coisas têm de ser preparadas, por isso fiz questão de lhe mostrar que já não não sou o estudante sem tusto que ela conheceu e que podiamos muito bem passar uns bons momentos juntos. Ficou caidinha, claro. Mortinha para sairmos os dois do restaurante e irmos a correr para o primeiro hotel que aparecesse. O problema é que a seguir trabalhava, portanto não deu. Continua um bocado chata, com as conversas do costume sobre livros, exposições e concertos, mas, coitada, como anda sem homem, tem de arranjar com que se entreter. Deixei o caminho aberto e um dia destes tenho que ver se lhe volto a telefonar. Talvez na semana em que a Isabel vai para fora em trabalho porque, afinal, por uma queca não vale a pena arranjar confusões lá em casa.

3 Comments:

Blogger Bekx said...

Gosto do teu blog!
Parabéns e continua:)

11:31 da manhã  
Blogger t&v said...

obrigada pela força :)
t&v

3:11 da tarde  
Blogger Cleopatra said...

Eles são tão patetas não são?

6:35 da tarde  

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